Editora e gráfica do Governo do Estado apresenta novas edições de livros do crítico e poeta alagoano que há décadas se encontravam fora de catálogo

Considerada a obra-prima de Carlos Moliterno, A Ilha reúne 59 sonetos, alguns escritos em linguagem metapoética, que apontam para uma simbiose entre criador e criatura. O eu-lírico dos versos se confunde com o eu-poético e A Ilha se confunde com a própria poesia. Descrita sob diversas perspectivas, a Ilha assume vários significados metafóricos a cada poema, em um exercício literário inteligente e refinado, refletindo sobre sentimentos como solidão, nostalgia, contemplação, inquietação e impermanência.

Lançado em 1953, Desencontro, livro de estreia da carreira literária de Moliterno, é uma obra poética eclética que reúne sonetos em estilo parnasiano e poemas escritos em versos livres que revelam a versatilidade criativa do autor e seu domínio sobre a linguagem. Contudo, independentemente da forma escolhida pelo poeta, Desencontro mantém em sua essência uma forte temática existencial-introspectiva que versa sobre sentimentos íntimos, como desejo, angústia, saudade, amor, rejeição e tristeza, que levam o leitor a refletir sobre a finitude da vida, a passagem do tempo e sobre suas próprias ilusões perdidas.

“É na variedade de formas poéticas empregadas em Desencontro que leitores e críticos podem encontrar o exímio sonetista que era Carlos Moliterno, antes mesmo de A Ilha. Mas, além disso, está presente nesta obra um poeta moderno, no frescor pleno da poesia, que chegou aos leitores na década de 1950 e agora, após longa espera, vem novamente ao encontro do público, em aguardada edição, nesta obra fundamental da poesia moderna em Alagoas”, diz o professor Victor Mata Verçosa, estudioso da obra de Carlos Moliterno.

Já o ensaio Notas sobre poesia moderna em Alagoas é uma obra fundamental para os pesquisadores da arte literária produzida no estado. Neste livro, o crítico Carlos Moliterno remonta aos primórdios do movimento modernista no Nordeste, e mais precisamente em terras alagoanas, que repercutiu anos depois da Semana de Arte Moderna de 1922 e com características autênticas, regionais. Como partícipe da efervescência criativa local da época, Moliterno relembra neste ensaio o cenário de renovação estética iniciado em Alagoas, no final dos anos 20, por Jorge de Lima, reunindo dados biográficos e seleção de poesias de escritores antológicos como Aurélio Buarque de Holanda, Lêdo Ivo, Jorge Cooper, Aloísio Branco, Anilda Leão, entre outros.