Empresa coopera com coletivo responsável pela fabricação de 6 mil protetores faciais, a partir de impressoras 3D, para profissionais da Saúde

 

Texto de Myllena Diniz

A pandemia da Covid-19, enfermidade ocasionada pelo novo coronavírus, o Sars-Cov-2, alastrou-se de forma exponencial em todo o mundo, com mais de 2 milhões de casos confirmados – sendo 25,7 mil no Brasil. Para frear o avanço da doença, além da política de distanciamento social, muitas empresas têm reinventado sua atuação e utilizado sua ­expertise para minimizar os impactos do vírus no País.

Um desses exemplos é a Imprensa Oficial de Alagoas, referência pela publicação do Diário Oficial do Estado e de obras literárias de autores alagoanos. Pela primeira vez, em mais de 100 anos de existência, a empresa parou suas atividades gráficas e redirecionou os trabalhos, em caráter excepcional, para a confecção de máscaras e protetores faciais destinados a profissionais de saúde, gratuitamente.

A Imprensa Oficial uniu-se ao Coletivo 3D Saves, coordenado pela equipe do Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV) – sob a tutoria do professor Eduardo Setton – da Universidade Federal de Alagoas, para a confecção de 6 mil protetores faciais, ideais para a prevenção ao contágio por doenças transmissíveis por meio da saliva e de fluidos nasais.

O 3D Saves

O Coletivo 3D Saves é um grupo de voluntários, composto por pessoas físicas de diversas áreas, como Engenharia, Tecnologia, Saúde e Design, que possuem impressora 3D e têm o intuito de prover equipamentos de proteção a profissionais de saúde e de outros serviços públicos essenciais no período de pandemia.

Para isso, utiliza um projeto gráfico livre, criado por um fabricante europeu. “Temos como base um projeto desenvolvido na República Tcheca, já impresso e adotado em vários hospitais ao redor do mundo”, destaca Adeilton Santos, colaborador do projeto.

A cooperação

A parceria entre o Coletivo e a Imprensa Oficial tem como objetivo acelerar a linha de produção dos materiais doados. O 3D Saves trabalha no levantamento de apoio, na impressão das hastes, por meio de tecnologia 3D, no mapeamento de unidades e serviços públicos que demandam os Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), e, também, na sua distribuição. Já o órgão estadual, colabora com a linha de montagem e embalagem dos produtos – o que inclui inspeção, classificação, ensacamento e encarte das peças, assim como identificação dos lotes.

“Vivemos uma situação completamente atípica, em todo o mundo. Por isso, precisamos reunir esforços e auxiliar, da forma que podemos, no combate à pandemia. Dessa forma, oferecemos infraestrutura, pessoal e material para a finalização dos protetores que, certamente, serão muito importantes para a segurança dos profissionais que estão na linha de frente dessa guerra biológica”, enfatiza Dagoberto Omena, diretor-presidente da Imprensa Oficial.

Para os pesquisadores envolvidos no projeto, essa cooperação reforça a importância da união dos diferentes setores em prol do mesmo objetivo. “A parceria com a Imprensa Oficial nos orgulha. Temos profunda gratidão, pois, mostra que é preciso parar de olhar para dentro, deixar de pensar no problema, e olhar para fora da caixa, trabalhando juntos em busca de solução. Afinal, nossa missão é ajudar a cuidar das pessoas que têm cuidado da sociedade neste momento”, destaca Adeilton Santos, colaborador do projeto.

Protetores faciais

O material confeccionado trata-se de um acessório complementar à proteção provida pelas máscaras convencionais, uma vez que atua como barreira de contenção à saliva e aos fluidos nasais. Portanto, atua como uma blindagem do profissional de saúde contra gotículas aéreas e respingos líquidos, diminuindo a probabilidade de contato com o agente causador da doença.

Ainda assim, o uso do protetor não dispensa os cuidados e a utilização de outros EPIs, como máscara de proteção N95 ou PFF2, macacão e touca impermeável, além de todas as orientações da Organização Mundial da Saúde.